'Califórnia - EUA - ano de 2017.
O mistério, ainda que ronde a alma humana, provém do submundo ainda intangível. O mundo quedou-se em perdição. Sobre a terra não serão mais humanos que irão caminhar. Os exércitos estão sendo formados, as vidas, no silêncio de seu âmago vão sendo açoitadas. Os risos tangíveis roubados de seus lábios. Não existe mais o equilíbrio, não existe mais um lugar para onde correr, não há quem lhe abraçar para se esconder. Agora, só resta uma saída, de que lado você fica? '
Ano: 2017
Mês: Setembro
Fase da lua:
Atualmente a lua encontra-se em sua fase de Quarto Crescente
Tempo em Los Angeles:
Mín: 16ºC // Máx: 27ºC
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Cathedral of Our Lady of The Angels
| _narrador |
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CATHEDRAL OF OUR LADY OF THE ANGELS Local amplamente visitado, não só por pessoas que buscam salvar suas almas, mas também por turistas impressionados com uma arquitetura tão moderna para uma capela. Mas não se assute, a Cathedral of Our Lady of The Angels é uma igreja como outra qualquer. Procure pelo padre. Além de ouvir suas confições, ele é um ótimo guia para um tour pela capela.
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| Eldar Tharkûn |
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~ Bruxo

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{ Catedral da Nossa Senhora dos Anjos, domingo. — Afasta de mim... TOC, TOC — O baque seco de minha bengala ecoava por todo o cortejo em tapete vermelho. Caminhava por entre os bancos, emergindo da luz para dentro do antro divino daquela Catedral. A caminhada não foi difícil, pelo contrário, fora bastante agradável e satisfatória. Muito embora boa parte do percurso – do centro de Los Angeles até o subúrbio. – tenha sido feito através de um táxi. ”Como beber dessa bebida amarga Tragar a dor, engolir a labuta Mesmo calada a boca, resta o peito Silêncio na cidade não se escuta De que me vale ser filho da santa Melhor seria ser filho da outra Outra realidade menos morta Tanta mentira, tanta força bruta” Fazia um bom tempo que não vinha até a Catedral. Quiçá mais de um mês. O que é uma pena, afinal, é um belo local para se visitar. As arquiteturas contemporâneas aliada ao classicismo cristão davam um toque robusto a todo o local. Com passos lentos e ritmados continuava meu caminho, parando frente ao altar. Deparei-me com a famigerada figura de Cristo na cruz. Prontamente me ajoelhei e fiz o sinal da santíssima trindade... (...)”Talvez o mundo não seja pequeno Nem seja a vida um fato consumado Quero inventar o meu próprio pecado Quero morrer do meu próprio veneno Quero perder de vez tua cabeça Minha cabeça perder teu juízo Quero cheirar fumaça de óleo diesel Me embriagar até que alguém me esqueça” PAI, FILHO E ESPÍRITO SANTO... AMÉM! — Conclui rapidamente, levantando-me. Mais acima uma representação do céu com nuvens, anjos e a homenageada por aquele templo; A Nossa Senhora dos Anjos. Encarei-a por alguns instantes por cima das lentes dos óculos. Em seguida, empurrei a pequena haste metálica que o segurava em meu nariz e havia deslizado para cima, encaixando-o com mais segurança. Continuei meu caminho pela lateral da paróquia, adentrando num corredor que dava num pequeno cubículo de madeira... ”Pai, afasta de mim esse cálice Pai, afasta de mim esse cálice Pai, afasta de mim esse cálice De vinho tinto de sangue” Aguardei a saída de uma senhora, provavelmente uma beata – destas que vão todo domingo se confessar por seus pseudo-pecados. –, e fui me aproximando sem muita cautela. Sentei-me suspirando forte, apoiando a bengala sobre minhas pernas. Busquei olhar pelos pequenos furinhos que compunham a divisória entre mim e o interlocutor de Deus atrás de uma feição amiga. Entretanto, devido a dificuldade de minhas fatigadas vistas, resolvi fazer uso de um questionamento: • Padre Gustav, por um acaso está aí, meu caro amigo? — Minha voz soou de maneira tranqüila, como de costume, além de um leve toque de graciosidade em minha pergunta, pois tinha quase certeza de que o dito cujo estava lá, ouvindo os pecados de todos e todas. Em todo caso, fiquei no aguardo de sua resposta para então prosseguir... _________ { Música do post; Chico Buarque de Holanda — Cálice.
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| _narrador |
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"Me perdoe padre porque eu pequei." E ouvia atentamente as confissões mais íntimas daqueles fiéis tão devotos ao Senhor que ainda se importavam em expurgar-se enquanto ainda em plano terreno, submetendo-se a penitências consideradas hoje pela maioria dos que se dizem cristãos mas nem ao menos freqüêntam a igreja, como absurdas. Isso, meus amigos, porque - graças ao bom Deus - já se passaram os tempos de auto-flagelamento e rezar o terço fora promodifo a penalidade máxima. As confissões não mudaram com o passar do tempo, continuaram as mesmas. Mudaram apenas os valores, a concepção do ser humano quanto ao que exatamente é um pecado e, logicamente, o padre.
Acostumado a rotina a qual era submetido dia após dia, o padre Gustav já não mais se esforçava em raciocinar a penitência a qual aquele ou este pecado mereciam. Bastava seus ouvidos pescarem palavras-chave em meio aos discussos por vezes lamuriosos, palavras como 'adultério', 'desejo', 'violência' e até 'morte', e automaticamente processava-se em sua mente o que seria em seguida transmitido em palavras , o castigo ideal para tal situação. Sentado imerso na escuridão daquele cubículo de aproximadamente 0,8m² construído em madeira, o confessionário, não era visto por ninguém do lado de fora, nem mesmo por aqueles que lhe solicitavam uma audiência. O efeito que causava aos devotos que apenas escutavam uma voz grave, um pouco rouca, a qual associavam a sabedoria e bondade, era o de que aquela voz que emergia da escuridão pertencia a ninguém mais além do próprio Senhor, e este efeito lhe denotava algum poder quando preso ali dentro.
Terminada a confissão, uma benção selada pelo sinal - a santíssima trindade - desenhado no ar pelos dedos em histe das mãos ternas daquele "homem de Deus". A fila andava - e não me entendam mal, é apenas uma descrição um tanto vulgar para a realidade - e logo o próximo de seus tantos "filhos", como os chamava demonstrando um carinho inigualável, sentava-se do outro lado da tela de madeira. E o ciclo se repetia por várias vezes durante o dia. Naquele momento, particularmente, não foi a voz de mais uma beata, ou de um jovem delinqüente que clamava pelo perdão de Deus antes de voltar a comenter mais um de seus crimes, mas uma voz tranqüila, velha sim, mas conhecida.
-Sim, er.. -A voz lhe falhou por um momento, e por isso interrompeu-se para pigarrear. Logo, retomou a palavra. -Estou aqui. -Aproximou o rosto da tela de madeira que os separava para poder olhar por entre os orifícios que nela havia. A vista já era falha e nem mais os óculos conseguiam-na corrigir. Identificou seu amigo, mesmo que já desconfiasse que o fosse pela voz. -Eldar, meu caro. Que bom revê-lo. Mas o que o traz à morada do Senhor?
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