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Estava em pé. Sobre uma pedra qualquer, provido apenas de roupas leves e de cores neutras, observava o horizonte, no infinito em que seus olhos mergulhavam, a brisa morna tocava sua face austera e o cabelo movia-se num carinho suave, pensativo, estava preocupado e não era pra menos. Sabia que algo ruim rondava Delirium, tendo-lhe como obsessão do momento, e temia que por ventura ela viesse a se render. O coração apertou-se e prontamente a face baixou num suspirar árduo que consumiu-lhe a alma, esperava assim, um alguém que lhe era peculiarmente de confiança, o julgava correto a proceder conforme conviesse para manter aquele ser loiro e peculiar em seus trejeitos protegido de quaisquer que fossem o mal, sem importar-se realmente com o que seria preciso fazer para protegê-la. Aguardava assim a presença de Siegfried, um invoque único, acreditou que era o que bastava para trazê-lo a Terra, aquele ser austero ali parado, como um borrão a frente do sol que se deitava no horizonte, como se contemplasse a beleza nua da lua que se punha alto no céu, era poderoso o suficiente para trazer quem fosse preciso ao seu encontro.
Os pés descalços tocavam a pedra ligeiramente fria mantendo o equilíbrio do corpo altivo de postura reta, os lábios enrugaram-se ligeiramente enquanto as orbes estreitavam-se com a menor intensidade de luz dourada que se fazia presente entre ele e o mar. Ainda que O’Gray estivesse distante, não havia tempo a ser perdido, seria lhe passado uma missão, importante, o jovem Siegfried deveria estar a par de tudo para melhor desenvolver seu papel perante aquela situação. Ainda que não estivessem frente a frente, Ariel principiou-se a falar, levando seus dizeres aos ouvidos de O’Gray, para que o tempo ali, antes de ser perdido pudesse ser aproveitado de forma correta.
– Sei que deve estar estranhando meu invoque a sua pessoa, Siegfried, mas tenho motivos suficientemente plausíveis para tê-lo chamado a Terra.
Ambas as mãos foram para trás do corpo, uma a segurar a outra enquanto Ariel pausava sua fala engolindo sutilmente a saliva ligeiramente amarga ao simples ato de pensar no que poderia acontecer se fosse tarde demais. Os sons que contemplavam o momento eram apenas os das gaivotas presentes na região litorânea e por sua vez, o som das ondas a estourarem contra as rochas ligeiramente desgastadas. Virou-se de costas a direção do sol, como e já fitasse onde seu invocado pousaria. Suspirou, ato este que faziam os ombros largos moverem-se sutilmente para cima e para baixo delineando a marcação respiratória, os lábios ligeiramente corados moveram-se por mias uma vez, principiando a fala.
– Sabes bem que não é obrigado a aceitar as missões que lhe são dadas meu amigo, mas, confesso que ficaria eu muito grato se abraçasse esta causa.
Ergueu o rosto fitando além do que os olhos humanos podiam enxergar, pigarreando de forma suave enquanto deixava-se ser acariciado pela brisa que tornava-se ligeiramente fria, levando seus pensamentos de acalanto e cuidados para Delirium.
– Lhe invoquei com o propósito de ante tudo explicar-lhe o porque de dar missão, é uma história um tanto quanto complicada, porém tenho certeza de que irá compreender, melhor do que ninguém Siegfried.
Suspirou tão profundamente que chegou a doer o peito.
– Sua missão, será proteger um alguém em especial...sua missão Siegfried, é proteger, guardar e zelar por Delírium.
Replicou passivo de tranqüilidade na voz, com um meio sorriso nos lábios ligeiramente finos, sentia certa satisfação pois afinal de contas, tinha a menina como se fosse-lhe uma filha um fruto gerado do amor que sentia, e ainda o sente perpetuar nas veias, mas o oculta pela fidelidade extrema. Ergueu a face a fitar os céus com um meio sorriso tênue nos lábios.
– E então meu amigo, aceitaria tal missão ou preferes ouvir a história que levou-me a lhe fazer encarecidamente tal pedido antes?
As orbes mantinham-se entreabertas a espera do soar da voz de O’Gray
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